quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Homens e bêbados

Faço-me a pergunta: por que se gasta tanto com festividades? Respondo-me sempre convicta de que quanto mais embriagados estivermos menos nos importamos com o que ocorre ao nosso redor. Coincidência ou não passamos muitos dias do ano em pleno estágio de embriaguês.

Pensemos juntos... Ao iniciar o ano comemoramos a véspera e o dia de ano; são dois dias seguidos, mas se coincidir a data numa sexta feira então serão quatro dias.

Preparamos-nos para o carnaval, festa grandiosa, pensada para dois dias, mas nós agitamos desde o sábado então são quatro dias consecutivos; não esquecendo que as prévias de carnaval acontecem, no mínimo, cinco finais de semanas antes do dia D, logo, teremos curtido mais dez dias intercalados.

Mesmo na quaresma não há trégua, pois a partir da Quinta Feira Santa já se joga cartas ou outros jogos regados sempre de algum tipo de bebida, então são quatro dias de embriaguês e olhe que neste caso estamos contritos e solidários ao Homem que morrera numa cruz para nos assegurar vida e vida em abundância. Bebamos o sangue do cordeiro imolado.

No dia das mães não tem jeito é um dia só, apenas no segundo domingo, mas aí bebemos todas o dia é curto. E mãe tem mesmo o coração de manteiga, nesse dia nem percebe que o filho menor já está virando o copo.

Os festejos juninos, belíssima festa nordestina, se estendem por todo o mês de junho, razão de ser junino, e aí vão-se trinta dias de pura bebedeira, mas é bem curioso que nesse período o cidadão já não agüenta mais de pagar contas: material escolar e fardamento, IPVA, IPTU, IR,... por isso beber faz esquecer a intencionalidade contida na extensão da festividade.

Ufa! Graças a Deus um mês inteirinho de férias, então bebamos. Ninguém é de ferro!

Durante o ano todo nem se quer visitamos nossos pais, mas vale fazer uma comemoração básica pra tomarmos alguma no Dia dos Pais. E dá-lhe bebida o dia inteiro!

O nosso patriotismo se impõe e logo fazemos uma grande farra para comemorarmos a independência do país. Tudo bem que o território se tornou uma nação, mas e o povo, no que se tornou? ...Nada mais importa se estamos embriagados.

Nunca vi festa de criança sem bebida alcoólica, na verdade o dia é da criança, mas os adultos esquecem-se disso e bebem todas para encorajarem-se a ver uma realidade brutal: filhos que não quiseram ter.

Nossa! Os festejos das igrejas duram entre três e quinze dias. A venda de bebidas é somente para cobrir os custos, também é socialmente bebida, não agride a moral e os bons costumes.

É fúnebre a data, mas bebemos para esquecermos a dor da perda. Ou bebemos para esquecermos nossos mortos? Ou morreram por que muito beberam ou por que muito bebemos?

O fígado agüenta por isso não nos esqueçamos de acrescentar o aniversário de nossa cidade, do casamento, dos nossos pais, do patrão, da empresa, da loja mais rica da cidade, dos nossos filhos, pena que eu só tenho dois, mas alguns tem sete, nove. Acrescente dia de Tiradentes, da República, do padroeiro ou da padroeira da cidade. Lembre-se que sempre que o caso exigir ainda fazemos bebedeira em dias imprensados. Sim, aqueles feriados prolongados.

Vou me arriscar a somar, espero contar com a sua ajuda porque depois que tomo o primeiro gole tenho dificuldades com os números, mas vou com cuidado, aliás hoje não bebi pra cai, bebi apenas pra me escorar ( em você).

Então é Natal! Viva! Bebamos da véspera ao Ano Novo e agora calculeMOS, pois do Natal para o Ano Novo são apenas cinco dias, mas do Ano Novo para o Natal é um ano inteirinho de bebedeira!

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